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José Blanchard Girão Ribeiro
Aos 14 anos, Blanchard Girão ingressou no jornalismo, carreira que ainda hoje exerce, embora formado em Direito — tendo advogado por alguns anos — e em Letras. Pelo prestígio adquirido na imprensa e no rádio, candidatou-se e elegeu-se deputado estadual em 1961. Por ocasião do golpe militar de 1964, Blanchard Girão, da tribuna da Assembléia e pelo microfone das emissoras de rádio, defendeu a legalidade e foi, em razão disso, preso e processado, inclusive com seu mandato de parlamentar cassado.
Antes de 1964, seu nome já era ventilado como possível candidato a vice-governador. Em 1988, teve seu nome igualmente lembrado para disputar a Prefeitura de Fortaleza. Carreira política truncada pela força, este renomado jornalista poderia ter sido um dos nomes de maior evidência política de nossa família.
Blanchard Girão nasceu em 22 de outubro de 1929, em Acaraú – CE, vindo para Fortaleza em 1931, com apenas dois anos de idade. Sua ascendência: avós paternos Raimundo Augusto Ribeiro e Ana Lucília Ribeiro; avós maternos Guilherme Regino de Oliveira e Felícia Girão de Oliveira.
Em sua escolaridade, cursou as primeiras letras com a Profª. Maria Emilia Leite Ferreira; o primário no Colégio Farias Brito e os preparativos para o exame de admissão no Colégio Dom Bosco; o curso ginasial no Liceu do Ceará; e o curso científico no Colégio São José. Formou-se Bacharel em Letras Neo-Latinas em 1953 pela Faculdade Católica de Filosofia do Ceará, licenciando-se professor em 1954. Formou-se em Direito pela Faculdade de Direito da Universidade Federal do Ceará em 1958.
Na profissão de jornalista, ingressou na imprensa como revisor do desaparecido jornal “Gazeta de Notícias”, de Fortaleza, em junho de 1944, tendo militado nos principais órgãos do jornalismo cearense — com maior período no jornal “O Povo”, de 1945 a 1948 e de 1973 a 1986. Dirigiu também o jornal “O Norte”, de Parnaíba – PI. No radialismo, foi produtor de programas da Ceará Rádio Clube e seu editorialista; diretor de programação da Rádio Dragão do Mar e seu editorialista; e produtor da Rádio Iracema de Fortaleza. Na televisão, foi produtor do programa “Dimensão Total”, da antiga TV Ceará, Canal 2, e diretor-presidente da TV Educativa, Canal 5, em Fortaleza.
No magistério, lecionou Francês no Colégio Farias Brito. Na Advocacia, advogou durante cerca de dez anos (1965 a 1975), com escritório montado em Fortaleza, no Edifício Sul América e depois no Palácio Progresso.
Em funções públicas, exerceu os cargos de Assessor de Imprensa da Secretaria da Fazenda do Estado; Deputado estadual à Assembléia Legislativa do Estado do Ceará, eleito em 1962 na legenda do Partido Social Trabalhista – PST, de cuja bancada foi líder. Teve o mandato cassado pelo golpe militar de 1964, sendo preso por oito meses e meio e tendo os direitos políticos suspensos por dez anos. Nessa fase, sem deixar de escrever para a imprensa — embora sem assinar qualquer matéria — foi que advogou.
Nomeado pelo Governo Gonzaga Mota, em 1986, para o cargo de diretor da Televisão Educativa do Ceará. Em 1987, foi nomeado pelo Governador Tasso Jereissati para o cargo de Subsecretário de Cultura, Desporto e Turismo, exercendo em diversas oportunidades, interinamente, o cargo de Secretário. Em 1991, no Governo Ciro Gomes, foi nomeado assessor especial do Governo do Estado, cargo no qual permanece até os dias presentes (2004). Foi ainda membro do Conselho Estadual de Educação para as Empresas (Governo Parsifal Barroso) e Membro do Conselho Superior da Escola de Saúde Pública do Ceará (Governo Lúcio Alcântara).
Entre seus livros publicados destacam-se: “Doutor Valdemar – O Médico, O Político” (1992); “O Céu é Muito Alto” (Crônicas, 1994); “O Liceu e o Bonde” na Paisagem Sentimental de Fortaleza (Memórias, 1997); “Sessão das Quatro” — Cenas e atores de um tempo mais feliz (Memórias, 1998); “Passageiros do Ontem e do Sempre” (Memórias, 2001); “Mucuripe de Pinzón ao Padre Nilson” (Memórias, 1998); “O Procurador de Deus e Outras Estórias de Gente Humilde” (Memórias, 2003); e “Só as Armas Calaram o Dragão” (Memórias, 2005).